domingo, 17 de julho de 2011

Crianças/situação de rua

Crianças em situação de rua são seres humanos em desenvolvimento, que podem apresentar algumas características psicológicas sadias, apesar das dificuldades impostas por um ambiente hostil. Para manterem-se na rua, desenvolvem estratégias para lidar com circunstâncias que podem expô-las a riscos e podem torná-las vulneráveis. Esta afirmação aponta para duas direções opostas. A vida na rua gera altos níveis de stress, riscos freqüentes e intensos e testam permanentemente a vulnerabilidade emocional, social, física e cognitiva/educacional desta criança. No entanto, exigem que ela seja resiliente e desenvolva estratégias, tenha forças para lidar com o infortúnio e para se adaptar. A vivência de rua, certamente, proporciona experiências diferenciadas às crianças, que não são similares às das crianças que vivem sob a proteção permanente de uma família ou mesmo àquelas que freqüentam diariamente a escola. Os vários estímulos que a rua apresenta, exigem que a criança esteja atenta e preparada para manter a sua integridade física e sua sobrevivência. Esta atividade permanente, em um âmbito tão diferenciado e provocador, deve gerar desequilíbrios cognitivos e necessidade de equilibração constante. Alguns estudos afirmam que ao invés de provocar um retardo no desenvolvimento cognitivo, a vida na rua facilita e promove o desenvolvimento (Aptekar, 1989; 1996). No Brasil, Carraher e colaboradores (1985) revelaram que crianças trabalhadoras de rua podem ter uma aprendizagem natural da matemática, que a escola não é capaz de propiciar. Além de habilidades matemáticas, outros aspectos cognitivos foram avaliados, como o nível de julgamento moral. Barreto (1991) verificou que o raciocínio moral de crianças de rua, quando comparado ao de crianças de mesma idade que vivem com suas famílias, não difere significativamente. Koller (1994) também verificou que crianças em situação de rua, que não freqüentam escolas, raciocinam pró-socialmente no mesmo nível que crianças escolares da mesma faixa etária. Ou seja, conforme concluem Koller e Hutz (1996, p.14), "o viver na rua não impede o desenvolvimento de valores e não gera deficiências morais específicas em crianças e adolescentes 

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